
A esquistossomose é uma parasitose endêmica, associada a manifestações sistêmicas, incluindo acometimento renal mediado por imunocomplexos. A glomerulonefrite membranoproliferativa (GNMP) é o padrão histológico mais frequentemente descrito nesses casos.
Relato do casoHomem, 51 anos, hipertenso, com edema de membros inferiores e proteinúria de longa data, evoluindo com anasarca e descontrole pressórico. Referia urina espumosa há três anos. Natural Condado/PE, vivia dentro de um engenho onde “tomava banho de açude”. Exames laboratoriais evidenciaram hipocomplementemia (C3 e C4 reduzidos), hipoalbuminemia, elevação de escórias nitrogenadas, fator reumatoide positivo, hematúria microscópica e proteinúria. Ultrassonografia mostrou nefropatia parenquimatosa bilateral. Biópsia renal confirmou GNMP. Investigação etiológica inicial foi negativa para causas não infecciosas e infecciosas usuais, incluindo crioglobulinemia e parasitológicos de fezes. Prosseguida investigação com biópsia retal, que evidenciou ovos de Schistosoma mansoni, com sorologia reagente, confirmando esquistossomose.
ComentáriosA esquistossomose deve ser considerada na investigação de GNMP em pacientes com histórico epidemiológico compatível, mesmo na ausência de exames parasitológicos positivos. A patogênese da GNMP pela esquistossomose inclui desde a formação de imunocomplexos, a lesão direta de podócitos e a produção de imunoglobulina A até a coinfecção com os vírus da Hepatite B e C, Salmonella e fatores genéticos. O diagnóstico pode requerer métodos invasivos, como biópsia retal. O reconhecimento da etiologia infecciosa tem implicação terapêutica direta, com indicação de tratamento antiparasitário e sem recomendação formal de imunossupressão nessa apresentação histológica.
Conflito de interesseSem conflitos de interesse.
Comitê de éticaNão.
Há Financiamento? EspecifiqueNão


