
A osteíte púbica infecciosa é uma entidade rara das infecções osteoarticulares, frequentemente subdiagnosticada devido à apresentação clínica inespecífica e à dificuldade em diferenciar acometimento de partes moles, osteíte e osteomielite. Embora predominem cocos gram-positivos, bacilos gram-negativos devem ser considerados em contextos específicos, como manipulação urológica, uso de dispositivos urinários e presença de comorbidades.
Relato do casoPaciente masculino, 78 anos, multimórbido, em uso crônico de cateter vesical de demora, foi admitido por dor infraumbilical insidiosa e progressiva. Evoluiu durante internação com piora clínica, caracterizada por insuficiência respiratória aguda e necessidade de suporte intensivo. Durante investigação etiológica houve isolamento de Morganella morganii em hemoculturas, urocultura e material obtido por punção da sínfise púbica, configurando concordância microbiológica entre os sítios infecciosos. Os achados clínicos e laboratoriais, associados à evidência microbiológica, sustentaram o diagnóstico de osteíte púbica infecciosa, sendo assim instituída antibioticoterapia com duração de quatro semanas. O paciente apresentou evolução favorável, com resolução do quadro infeccioso e sem necessidade de intervenção cirúrgica.
ComentárioEste relato evidencia a complexidade diagnóstica das infecções da sínfise púbica, principalmente em apresentações oligosintomáticas e sem confirmação histopatológica. A identificação de Morganella morganii, patógeno incomum em acometimentos osteoarticulares, reforça a necessidade de ampliar o raciocínio etiológico em pacientes com fatores predisponentes. A concordância microbiológica entre hemoculturas, urina e material obtido por punção sugere origem urinária com possível disseminação hematogênica ou por contiguidade, mesmo na ausência de um foco primário claramente definido. Além disso, o caso mostra que apresentações inicialmente pouco exuberantes podem evoluir com deterioração clínica significativa, ressaltando a importância da suspeição precoce. A resposta favorável ao tratamento conservador, guiado por antibiograma, reforça que, em casos selecionados, é possível evitar abordagem cirúrgica quando há diagnóstico precoce e adequada condução terapêutica. Dessa forma, o relato contribui para a literatura ao ampliar o espectro clínico e microbiológico dessas infecções e reforça a importância de uma abordagem integrada clínico-laboratorial no manejo.
Conflito de interesseAusente.
Comitê de ÉticaRelato de caso com consentimento livre e esclarecido obtido e garantia de anonimato.
Há Financiamento? EspecifiqueNão.


