
Pessoas vivendo com HIV (PVHIV) tem risco aumentado de infecções oportunistas e adquiridas na comunidade (IACs). Apesar do sucesso da terapia antirretroviral de alta potência, as IAC continuam sendo causa significativa de morbidade e hospitalização. O presente estudo avaliou o perfil de IACs entre PVHIV em um hospital universitário de alta complexidade no Rio de Janeiro, Brasil.
Materiais e métodosTrata-se de uma revisão retrospectiva de 57 internações por IACs em 42 PVHIV entre 1° de outubro de 2024 e 31 de dezembro de 2025, em enfermaria de Infectologia. Avaliaram-se diagnóstico, resultados microbiológicos, perfil de resistência, tipo e duração do antimicrobiano, colonização por Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA), Enterobacteriaceae resistente a carbapenêmicos (ERC) ou Enterococcus resistente à vancomicina (VRE), tempo de internação e desfecho clínico.
ResultadosDas 57 internações analisadas, 39 (68,4%) eram do sexo masculino, com mediana de tempo de internação de 8 dias (IQR = 6 – 14) e taxa de mortalidade de 3,4% (n = 2). Os diagnósticos mais prevalentes foram infecções complicadas do trato urinário (14/57; 24,6%), infecções de pele e partes moles (14/57; 24,6%) e pneumonia adquirida na comunidade (13/57; 22,8%). Foram obtidas culturas de 47/57 (82,7%) das PVHIV hospitalizadas na unidade, com 17 resultados positivos (taxa de positividade de 35,4%). As principais bactérias isoladas foram Streptococcus pneumoniae, MRSA, Escherichia coli produtora de ESBL e Pseudomonas aeruginosa. Em relação à colonização por microrganismos multirresistentes (MDR), a prevalência foi de 7/42 (16,7%) para MRSA, 1/42 (2,4%) para ERC e 1/42 (2,4%) para VRE. Os antimicrobianos mais frequentemente utilizados incluíram beta-lactâmicos/inibidores de beta-lactamase, macrolídeos, cefalosporinas, carbapenêmicos e glicopeptídeos. Aminoglicosídeos foram utilizados com menor frequência. A duração mediana da terapia antimicrobiana foi de 8 dias (IQR = 7 – 14), variando de acordo com a gravidade e resposta clínica.
ConclusõesOs resultados demonstram que, entre as IACs, as infecções urinárias, cutâneas e pulmonares foram as principais causas de hospitalização em PVHIV na unidade. A alta prevalência de MDR revela uma mudança crítica em direção à resistência comunitária. Esses resultados reforçam a necessidade de terapia empírica baseada em evidências, adaptada aos perfis locais, com o objetivo de melhorar os desfechos clínicos em PVHIV.
Conflito de interesseNão há conflitos de interesse.
Comitê de éticaTrabalho feito a partir de dados administrativos, sem intervenção e/ou mudança em condutas de rotina.
Há Financiamento? EspecifiqueSem financiamentos.


