
Escherichia coli patogênica extraintestinal (ExPEC) é a principal bactéria Gram-negativa agente de infecções da corrente sanguínea (ICS). Entre os grupos filogenéticos de importância clínica, destaca-se o grupo F, que inclui o ST648, considerado clone de alto risco, associado à resistência a múltiplas classes de antimicrobianos, produção de betalactamases e à expressão de fatores de virulência. Os objetivos deste estudo foram identificar cepas do ST648, avaliar a susceptibilidade aos antimicrobianos, a produção de betalactamases e os genes associados a esse mecanismo.
Materiais e métodosForam analisadas 35 amostras de E. coli do grupo F provenientes de um total de 376 amostras bacterianas isoladas de pacientes com ICS admitidos em um hospital terciário localizado na cidade do Rio de Janeiro entre 2014 e 2023. O teste de susceptibilidade aos antimicrobianos e a avaliação da produção de ESBL foram realizados por disco-difusão e disco-aproximação, respectivamente. A identificação de ST648 e detecção dos genes de resistência foram investigados por reação em cadeia da polimerase (PCR).
ResultadosO clone ST648 representou 40% (n = 14) das amostras do grupo F. Foram observadas taxas de resistência para ampicilina (71,4%), cefazolina (68,5%), ciprofloxacino (57,1%), cefotaxima, aztreonam, ceftazidima (48,5%) e cefepima (31,4%). O ST648 apresentou elevada participação entre as amostras resistentes com frequências de 37%, 29%, 31%, 26% e 20%, respectivamente. Não houve resistência a imipenem, ertapenem ou tigeciclina. O fenótipo produtor de ESBL foi observado em 48,5% das amostras, sendo 22,79% deste total representado por ST648. SHV teve a maior prevalência entre os genes relacionados à produção de betalactamases, seguido de blaCTX-M-1 (70,5%) e TEM (23,5%). O gene blaampC (dha) foi detectado em apenas uma amostra.
ConclusãoEm conjunto, os resultados obtidos evidenciam ST648 como possível fonte disseminadora de genes de resistência. A presença deste clone em ambiente hospitalar agrava o cenário epidemiológico das ICS, reforçando a necessidade de vigilância contínua para guiar o manejo terapêutico.
Conflito de InteresseNão há conflitos de interesse.
Comitê de éticaProtocolo: 6933522.6.0000.5257.; Comitê de ética em pesquisa - UFRJ.
Há Financiamento? EspecifiquePIBIC/UFRJ, Faperj.


