
A presença de Enterobactérias resistentes a carbapenêmicos (ERC) é um desafio crítico no ambiente nosocomial. A detecção laboratorial baseada exclusivamente na Concentração Inibitória Mínima (CIM) ou no diâmetro de halos pode ser insuficiente, uma vez que alguns isolados portadores de genes de resistência, como o blaKPC, exibem valores de sensibilidade in vitro dentro dos pontos de corte clínicos estabelecidos pelo BrCAST.
Relato do casoHomem, 22 anos, admitido em Novembro de 2025 em hospital terciário com quadro de dispneia aos mínimos esforços e febre. Apresentava derrame pleural à admissão, sem indicação de toracocentese. Neste mesmo dia evoluiu com insuficiência respiratória aguda e rebaixamento do sensório, sendo intubado. Estava tratando empiricamente tuberculose pleural (sem confirmação microbiológica) há 1 ano sem resposta clínica. Iniciou tratamento de sepse pulmonar e em 16/12/25, apresentou piora do derrame pleural, sendo realizada toracocentese que evidenciou TRM (GeneXpert Ultra®) reagente, confirmando a hipótese de tuberculose. Apesar dos tratamentos direcionados, o paciente se mantinha febril. Em 21/01/26, o dreno de tórax foi retirado e em 27/01 após realização de TC de tórax, foi evidenciado aumento do derrame pleural. Foi realizada nova toracocentese em 27/01, sendo identificado Providencia stuartii. Havia sensibilidade às cefalosporinas e carbapenêmicos (meropenem e ertapenem) ao antibiograma (com diâmetro de halo de inibição para meropenem de 24mm em fita gradiente). Diante deste resultado, foi realizado teste imunocromatográfico NG-Test CARBA 5 que mostrou o genótipo Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC). O paciente inicialmente apresentou melhora clínica e laboratorial, porém dias após apresentou nova piora clínica, com necessidade de controle de foco através de abordagem cirúrgica torácica e troca do antimicrobiano.
ComentáriosEste caso ratifica a importância dos protocolos de triagem fenotípica e molecular para carbapenemases, independentemente do resultado do antibiograma convencional, pois a análise fenotípica pode não refletir a carga enzimática real do patógeno. De acordo com o BrCAST/EUCAST, isolados de ERC com diâmetro de halo para meropenem < 28 lt; 28 mm (ou CIM >0,125mg/L) devem ser submetidos a testes confirmatórios de produção de carbapenemase. O uso de testes imunocromatográficos é fundamental para a identificação precoce de mecanismos de resistência, promovendo o uso correto de antimicrobianos.
Conflito de interesseNão há conflito de interesse.
Comitê de éticaEste relato de caso foi conduzido em conformidade com as normas éticas vigentes.
Há Financiamento? EspecifiqueNão há financiamento.


