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Vol. 30. Issue S3.
Infecto RIO 2026
(July 2026)
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(July 2026)
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#000202 — ABSCESSO PERIVALVAR: UMA AMEAÇA MORTAL NA ENDOCARDITE INFECCIOSA

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Cristiane da Cruz Lamasa, Nicolas De Albuquerque Pereira Feijoob, Vanessa von Dollingerb, Pietra Alvesb,c, Rodrigo Pintob,d, Rafael Quarema Garridoa, Giovanna Ferrauioli Barbosab, Bruno Cordeiro Zappab, Guilherme Amorimb, Wilma Golebiovskib
a Instituto Nacional de Cardiologia, Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/FIOCRUZ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil
b Instituto Nacional de Cardiologia (INI), Rio de Janeiro, RJ, Brasil
c Fundação Técnico-Educacional Souza Marques, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
d Universidade do Grande Rio / Unigranrio Afya, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
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Vol. 30. Issue S3

Infecto RIO 2026

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Introdução/objetivos

O abscesso perivalvar (AP) é uma complicação temida da endocardite e constitui uma indicação de classe IB para cirurgia de substituição valvar. Nosso objetivo foi descrever as características do AP.

Materiais e métodos

O estudo é uma análise post hoc de episódios de abscesso perivalvar em uma coorte prospectiva de pacientes adultos com endocardite infecciosa (EI) definitiva, de acordo com os critérios de Duke modificados, no período de 2010 a 2025. O AP foi identificado por ecocardiografia. Os pacientes com AP (grupo 1, G1) foram comparados aos que não apresentavam AP(grupo 2, G2). As análises estatísticas foram realizadas utilizando o JAMOVI.

Resultados

Houve 517 episódios de EI no período do estudo, e 110 (21,3%) apresentavam AP. A mediana da idade foi de 50 [IQR 33,3-64] anos no G1 e de 52 [38-65] no G2. AP não foi associado a nenhuma comorbidade. Os homens predominaram no G1 (75,5% vs 62,9%, p = 0,014) e entre os pacientes com EI tardia de prótese (EITPV), sendo 30,9% no G1 vs 19,7% no G2 (p = 0,012). A válvula aórtica foi mais frequentemente afetada no G1 (68,2% vs 33,6%, p < 0,001). Observou-se perfuração das cúspides valvares em 25,5% do G1 vs 11,4% do G2 (p < 0,001), regurgitação paraprotética em 27,5% vs 15,3% (p = 0,003) e nova regurgitação grave em 59,6% vs 43,7% (p = 0,003). Bloqueio atrioventricular (BAV) de alto grau foi observado em 24,5% do G1 vs 7,6% (p < 0,0001). Embolia esplênica (44% vs 29,4%, p = 0,004), lesão renal aguda (42,7% vs 31%, p=0,020) e necessidade de inotrópicos (38,2% vs 23,8%, p = 0,003) foram mais frequentes no G1. No G1, a EI por estreptococos orais (8,4% vs 17,2%, p = 0,026) foi menos frequente e os estafilococos coagulase-negativos (ECN) mais frequentes (21,5% vs 8,6%, p < 0,0001). A cirurgia foi indicada para 97,3% no G1 e 78,4% no G2 (p < 0,0001); foi realizada em 87,3% do G1 vs 63,5% do G2 (p < 0,0001). A mortalidade intra-hospitalar geral foi de 36,7% no G1 vs 23,7% no G2 (p = 0,006). A mortalidade cirúrgica intra-hospitalar foi de 31,6% no G1 contra 19,9% no G2 (p = 0,013).

Conclusões

O abscesso perivalvar afetou com maior frequência as válvulas aórticas, pacientes com EITPV e homens. Os ECN foram os principais patógenos implicados. A PA resultou em maior frequência de complicações, tanto locais (como bloqueio AV de alto grau) quanto sistêmicas. A mortalidade foi maior, mesmo entre aqueles que foram operados. O diagnóstico precoce e tratamento cirúrgico oportuno do AP são fundamentais para melhores desfechos.

Conflito de interesse

Sem conflitos de interesse.

Comitê de ética

Aprovado pelo comitê de ética.

Há Financiamento? Especifique

Não.

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