
A coinfecção tuberculose/HIV permanece como importante desafio de saúde pública, principalmente em países de alta carga como o Brasil. A imunossupressão associada ao HIV aumenta o risco de progressão da TB latente para a forma ativa, elevando a morbimortalidade. O diagnóstico precoce da TB em PVHA é essencial, mas limitado em indivíduos com baixa contagem de CD4, nos quais as apresentações clínicas são atípicas e métodos tradicionais apresentam menor sensibilidade. Assim, LF-LAM surge como estratégia complementar para o diagnóstico oportuno da TB ativa.
Relato da experiênciaO LF-LAM foi inicialmente incorporado ao circuito de aids avançada, mas o município apostou na descentralização da oferta do exame para a rede a partir da APS. A análise dos dados desde sua implantação (2023) até 2025 demonstra importante ampliação da oferta diagnóstica e aumento progressivo da positividade entre PVHA. No período foram realizados 738 testes de LF-LAM, dos quais 238 apresentaram resultado reagente, correspondendo a uma positividade global de 32,2%. Observa-se crescimento expressivo no número de exames realizados ao longo do período: em 2023, primeiro ano de implantação, foram realizados apenas 36 exames, com 5 resultados reagentes e positividade de 13,9%; em 2024, houve expansão importante da oferta, com 246 exames realizados, 75 reagentes e positividade de 30,5%; já em 2025, consolidando a descentralização do exame para a rede de APS, foram realizados 456 exames, com 158 resultados reagentes e positividade de 34,6%. Esse incremento progressivo sugere não apenas maior incorporação do LF-LAM na rotina assistencial, mas também maior sensibilidade na identificação de casos de tuberculose ativa em PVHA, especialmente entre indivíduos com imunossupressão avançada. Comparativamente, os territórios que mais utilizam o LF-LAM coincidem com aqueles historicamente mais afetados pela coinfecção TB/HIV no município, indicando que a descentralização do exame fortaleceu a capacidade de detecção nos locais de maior necessidade sanitária. Assim, o aumento das taxas observadas não representa necessariamente piora epidemiológica, mas sim maior visibilidade da carga de doença.
ComentáriosEsses achados reforçam que o LF-LAM, quando incorporado à APS e articulado à linha de cuidado das PVHA, contribui significativamente para o diagnóstico precoce da TB, qualifica a vigilância epidemiológica e fortalece a resposta assistencial nos territórios prioritários através da APS.
Conflito de interesseNão há.
Comitê de éticaO estudo se enquadra nos critérios de dispensa de submissão ao CEP.
Há Financiamento? EspecifiqueNão.


