
O aumento da circulação de microrganismos multirresistentes na comunidade tem impactado significativamente o tratamento de infecções. Viajantes contribuem para o transporte desses microrganismos entre diferentes regiões geográficas. Enterobacterales, especialmente Escherichia coli, colonizam o intestino humano, e cepas produtoras de betalactamase de espectro estendido (ESBL) podem ser adquiridas durante a viagem e posteriormente disseminadas na comunidade.
ObjetivoAvaliar a colonização por E. coli produtora de ESBL (E-ESBL) em viajantes e sua associação com possíveis fatores de risco, incluindo destino, uso de antimicrobianos e adesão a orientações preventivas relacionadas ao consumo de água e alimentos.
Material e métodosViajantes atendidos em um Centro de Medicina de Viagem no Rio de Janeiro foram convidados a participar. Amostras fecais foram obtidas por autocoleta com swab anal, antes e após a viagem. O material foi semeado em ágar MacConkey com e sem pressão seletiva com ceftriaxona. As amostras de E. coli foram identificadas por MALDI-TOF, e a produção de ESBL confirmada por testes fenotípicos. Dados clínicos e comportamentais foram coletados antes e após o retorno.
ResultadosForam incluídos 238 viajantes (mediana de idade 43 anos; IIQ 32–55; 70% mulheres). Entre os 192 com isolamento de E. coli antes da viagem, 11% apresentavam colonização por E-ESBL. Observou-se associação com o consumo de saladas cruas em ambulantes (17,5% vs 3,5%; p = 0,002) e tendência de associação com uso de antimicrobianos (p = 0,06). Entre os 171 não colonizados previamente, 22% adquiriram E-ESBL após a viagem. Não foram identificadas associações estatisticamente significativas entre aquisição e os fatores analisados. A colonização foi mais frequente em viajantes para a Ásia, especialmente o subcontinente indiano (38%), seguida do Sudeste Asiático (28%), América do Sul (22%) e África Subsaariana (17%), sem significância estatística.
ConclusõesAs viagens permanecem como importante fator de risco para colonização por E-ESBL, com maior frequência em destinos asiáticos. A ausência de associação com fatores classicamente descritos, como diarreia e uso de antimicrobianos, pode refletir limitações de poder estatístico ou características da população estudada, como a baixa frequência dos eventos, reforçando a complexidade dos determinantes da colonização intestinal.
Conflito de interesseNão há.
Comitê de ÉticaAprovado no CEP - CAAE: 39274214.0.1001.5257.
Há Financiamento? EspecifiqueFaperj - APQ1 – 2023.


