
A esporotricose é uma micose subcutânea cuja transmissão zoonótica felina tem assumido importância crescente no Brasil, especialmente no estado do Rio de Janeiro, com impacto relevante na população pediátrica. Este estudo teve como objetivo descrever o perfil clínico e epidemiológico de crianças e adolescentes com esporotricose acompanhados em um hospital universitário de referência. Trata-se de uma série de casos retrospectiva, incluindo indivíduos de 0 a 18 anos diagnosticados como casos prováveis pelos critérios do Ministério da Saúde ou confirmados por cultura, atendidos entre janeiro de 2008 e dezembro de 2025, realizada a partir da análise de dados demográficos, epidemiológicos, clínicos, laboratoriais e terapêuticos coletados em prontuários médicos.
Relato da série de casosForam incluídos 75 pacientes, todos com diagnóstico confirmado por cultura. Houve discreta predominância do sexo masculino, com mediana de idade de 7 anos. A maioria residia no município do Rio de Janeiro ou na região metropolitana, e 77,3% relataram contato com gatos, principalmente intradomiciliar. As formas cutâneas não sistêmicas predominaram, sendo a linfocutânea a mais frequente, seguida da cutânea fixa. Formas extracutâneas ocorreram em 16,4% dos casos e doença disseminada em 5,5%. O itraconazol foi a principal terapia utilizada, com boa tolerabilidade e resposta clínica satisfatória; iodeto de potássio e anfotericina B foram empregados conforme a gravidade.
ComentáriosOs achados reforçam a relevância da esporotricose zoonótica em pediatria, destacando apresentações clínicas diversas e a necessidade de elevada suspeição diagnóstica na presença de história epidemiológica sugestiva. É de fundamental importância o monitoramento clínico, laboratorial e a notificação dos casos de esporotricose para melhor conhecimento da doença.
Conflito de interesseNão há.
Comitê de éticaAprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do IPPMG – CAAE 94829126.1.0000.5264.
Há Financiamento? EspecifiqueNão há.


