
Escherichia coli uropatogênica (UPEC) pertence ao grupo das linhagens extraintestinais (ExPEC) e constitui a principal linhagem responsável por infecções do trato urinário (ITU), tanto na comunidade quanto em ambientes hospitalares. A identificação dos grupos clonais é realizada por meio da uma técnica de tipificação “multilocus sequence typing” (MLST), que determina o “sequence type” (ST), permitindo a identificação das principais linhagens pandêmicas que causam infecções extraintestinais, principalmente ITU. O aumento da resistência aos antimicrobianos entre ExPEC está relacionado à expansão dos grupos clonais pandêmicos, tais como ST69, ST131, ST73, ST95, ST127, ST1193 e ST648. ST131 destaca-se por apresentar elevado perfil de resistência, principalmente às fluoroquinolonas, e está frequentemente associado à produção de ESBL do tipo CTX-M-15. Tendo em vista o potencial patogênico destes clones multirresistentes, há uma necessidade de entender os clones disseminadores de resistência, visto que o cenário da pandemia de COVID-19 pode ter alterado a prevalência dos clones e favorecido a disseminação destes patógenos de forma acelerada.
ObjetivoDescrever características de uma coleção de amostras de E. Coli provenientes de indivíduos com ITU quanto a aspectos da prevalência de clones pandêmicos, resistência a antimicrobianos e produção de betalactamases.
Material e métodosOs métodos consistiram em tipificar os grupos filogenéticos, assim como os STs por PCR multiplex; testar as amostras para susceptibilidade aos antimicrobianos por disco difusão e detectar a produção de ESBL realizando o teste de sinergismo de duplo disco.
ResultadosUm total de 960 amostras foram obtidas, sendo 100 (10%) do ST131, 83 (9%) do ST69, 75 (8%) do ST73 e 17 (2%) do ST95. A frequência desses clones diminuiu quando comparadas com as coleções anteriores, com exceção do ST73 e do ST95. O ST131 apresentou diminuição da resistência à ciprofloxacino e da frequência de amostras multirresistentes e das amostras produtoras de ESBL. Apesar desses resultados, as amostras do ST131 foram mais resistentes aos antimicrobianos do que as das outras linhagens.
ConclusõesAnálises adicionais são necessárias para compreender integralmente essa redução no ST131. O monitoramento dessas linhagens pandêmicas resistentes aos antimicrobianos, como o ST131, auxilia na compreensão de sua evolução local, epidemiologia e disseminação de resistência aos antimicrobianos no Rio de Janeiro.
Conflito de InteresseAusência de conflito de interesse.
Comitê de ÉticaAprovado pelo Comitê do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (CAEE: 82089924.0.0000.5257).
Há Financiamento? EspecifiqueSim, Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro n°260003/005900/2024 e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código 001.


