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Vol. 30. Issue S3.
Infecto RIO 2026
(July 2026)
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(July 2026)
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#000247 — ENCEFALITE GRAVE POR VÍRUS OROPOUCHE COM PADRÃO DE ROMBOENCEFALITE: RESPOSTA À TERAPIA IMUNOMODULADORA

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Rafael Mello Gallieza,b,c, Julia Guedes Valentim do Nascimentod, Luana Johas Marques Françad, Maria Midori Matsumoto Sakaed, Ana Luiza Martins de Oliveiraa,e
a Instituto Estadual de Infectologia São Sebastião (IEISS), Rio de Janeiro, RJ, Brasil
b Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE), Rio de Janeiro, RJ, Brasil
c Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil
d Núcleo de Enfrentamento e Estudos de Doenças Infecciosas Emergentes e Reemergentes (NEEDIER), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil
e SMS Maternidade Maria Améli Buarque de Hollanda, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
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Vol. 30. Issue S3

Infecto RIO 2026

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O vírus Oropouche (ORPV) geralmente causa doença febril autolimitada, porém complicações neurológicas graves vêm sendo reconhecidas. Relatamos caso de encefalite grave com padrão de romboencefalite e resposta favorável à imunoterapia. Homem de 45 anos, obeso e hipertenso sem tratamento, iniciou febre e odinofagia em 05/04/2025. Evoluiu rapidamente com rebaixamento do nível de consciência e crises convulsivas recorrentes em 10/04, necessitando intubação. PCR para ORPV foi positiva em urina. Tomografia inicial de crânio sem alterações agudas. Líquido cefalorraquidiano mostrou hiperproteinorraquia importante com discreta pleocitose mononuclear. As crises apresentaram difícil controle, exigindo múltiplos anticonvulsivantes. Pela persistência do déficit neurológico, proteína liquórica muito elevada e PCR negativa no LCR, considerou-se mecanismo imunomediado, mais do que infecção viral ativa do sistema nervoso central. Foi iniciado ciclo de imunoglobulina intravenosa entre 17 e 21/04. Ressonância magnética em 21/04 evidenciou acometimento do tronco encefálico compatível com romboencefalite e edema cerebral discreto. Diante de melhora parcial, realizou-se segundo ciclo de imunoglobulina entre 08 e 11/05, associado a desmame de corticosteroides. Houve queda progressiva da proteína no LCR (347 para 61,8 mg/dL), paralela à melhora clínica. O paciente despertou em 05/05 e apresentava interação coerente em 12/05. As crises cessaram, permitindo retirada gradual de anticonvulsivantes. Nova ressonância em 28/05 mostrou regressão substancial das lesões. Evoluiu com estabilidade hemodinâmica, desmame ventilatório, decanulação em 09/06 e alta para reabilitação em 29/06/2025. O caso ilustra manifestação neuroinvasiva rara e potencialmente grave do ORPV. A resposta clínica, laboratorial e radiológica após imunoglobulina e corticosteroides reforça a hipótese de componente autoimune na fisiopatogênese e sugere considerar terapia imunomoduladora em apresentações neurológicas graves ou atípicas relacionadas ao vírus Oropouche.

Conflito de Interesse

Não há. Comitê de Ética: Aprovado Comitê de Ética HFSE e Osonto UFRJ.

Há Financiamento? Especifique

CNPQ, Faperj e ITPS.

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