
V Congresso Goiano de Infectologia
More infoA reinfecção por SARS-CoV-2 tem se tornado uma preocupação crescente na prática clínica e na saúde pública, embora suas consequências moleculares ainda não estejam completamente esclarecidas. A instabilidade genômica — caracterizada por encurtamento dos telômeros, desregulação do checkpoint mitótico e alterações cromossômicas — é uma marca do envelhecimento celular e da manutenção genômica prejudicada, podendo ser agravada por exposições virais repetidas.
ObjetivoInvestigar se a reinfecção por SARS-CoV-2 está associada a marcadores de instabilidade genômica em mulheres, incluindo comprimento dos telômeros, expressão dos genes do checkpoint mitótico BUB1 e BUB1B e frequência de micronúcleos.
MétodosEste estudo transversal do tipo caso-controle incluiu 96 mulheres com idades entre 18 e 66 anos, sendo 56 com reinfecção confirmada por SARS-CoV-2 e 40 controles não infectados. O comprimento relativo dos telômeros foi mensurado por PCR quantitativo. A expressão gênica de BUB1 e BUB1B foi avaliada por PCR em tempo real com SYBR Green. A instabilidade genômica também foi analisada por meio da frequência de micronúcleos em células epiteliais bucais esfoliadas, conforme os critérios HUMN-XL. Dados clínicos e epidemiológicos foram obtidos por questionários padronizados. As análises estatísticas incluíram comparações entre grupos, testes de correlação e modelos de regressão multivariada.
ResultadosMulheres com reinfecção por SARS-CoV-2 apresentaram telômeros significativamente mais curtos em comparação aos controles (mediana de 4–8 kb vs. 7–11 kb; p < 0,001), com encurtamento mais acentuado entre participantes com diabetes. Os níveis de expressão de BUB1 e BUB1B foram significativamente maiores no grupo reinfectado. Além disso, a frequência de micronúcleos foi mais elevada nas mulheres reinfectadas (5,6 ± 1,3 vs. 2,1 ± 0,8 por 1.000 células; p < 0,01), indicando maior instabilidade cromossômica.
ConclusãoA reinfecção por SARS-CoV-2 está associada ao aumento da instabilidade genômica em mulheres, evidenciada pelo encurtamento dos telômeros, aumento da expressão de genes do checkpoint mitótico e maior frequência de micronúcleos. Esses achados sugerem uma possível relação entre exposições virais repetidas e dano genômico; no entanto, relações causais não podem ser estabelecidas a partir deste delineamento de estudo.
Palavras-chaves: COVID-19; Telômeros; Mulheres.


