
V Congresso Goiano de Infectologia
More infoA tuberculose (TB), causada por Mycobacterium tuberculosis, permanece como um importante desafio global de saúde pública, estando associada à inflamação crônica, estresse oxidativo e dano celular sistêmico. Evidências sugerem que infecções persistentes podem induzir instabilidade genômica, detectável por alterações na organização tridimensional (3D) dos telômeros. Contudo, a aplicação dessa abordagem em células da mucosa oral em pacientes com tuberculose permanece pouco explorada, configurando uma estratégia inovadora e não invasiva para avaliação de danos genômicos.
ObjetivosInvestigar a instabilidade genômica em pacientes com tuberculose por meio da análise da organização 3D dos telômeros em células da mucosa oral, antes do início do tratamento, utilizando um grupo controle saudável como referência.
MétodosForam incluídos seis pacientes com tuberculose e vinte e dois indivíduos saudáveis pareados por idade e sexo (30–44 anos), ambos sem histórico de neoplasias ou doenças crônicas. Células da mucosa oral foram coletadas no momento basal, antes de qualquer intervenção terapêutica. As amostras foram analisadas por 3D Q-FISH, com aquisição de imagens de alta resolução e análise computacional. Os parâmetros avaliados incluíram intensidade do sinal telomérico, número total de sinais, frequência de agregados, volume nuclear e distribuição espacial. As comparações estatísticas foram realizadas por testes não paramétricos.
ResultadosEm comparação com controles (n = 22), os pacientes com tuberculose (n = 6) apresentaram alterações compatíveis com instabilidade genômica moderada. Observou-se aumento no número de agregados teloméricos (4.8 ± 1.2 vs. 2.1 ± 0.7 agregados por núcleo; ∼2.3-de aumento; p < 0.01), redução de ∼35% na intensidade do sinal (0.65 ± 0.08 vs. 1.00 ± 0.12; p < 0.01) e diminuição de ∼18% no número total de sinais (p < 0.05). O volume nuclear aumentou (∼28% aumentado; p < 0.05) e acima de 70% dos núcleos apresentaram perfis alterados, sem desorganização extrema.
ConclusãoEste estudo demonstra, de forma inédita, que a tuberculose está associada a aumento moderado da instabilidade genômica em células da mucosa oral antes do tratamento. A análise 3D dos telômeros mostra-se uma ferramenta promissora e não invasiva para avaliação de estresse genômico em doenças infecciosas.
Palavras-chave: Telômeros; Tuberculose; Instabilidade genômica.


