
V Congresso Goiano de Infectologia
More infoA sífilis congênita (SC) é uma infecção de transmissão vertical evitável com diagnóstico e tratamento pré-natal adequados. Contudo, o aumento das notificações no Brasil nas últimas décadas revela falhas na assistência materno-infantil, apesar da disponibilidade de tratamento na rede pública. Em Goiás, essa tendência possui particularidades regionais pouco exploradas. Assim, analisar os casos de 2010 a 2024 é relevante para identificar grupos vulneráveis e falhas na atenção à saúde que favorecem a transmissão da doença.
ObjetivoInvestigar o perfil clínico e epidemiológico das notificações de sífilis congênita no estado de Goiás entre 2010 e 2024.
MetodologiaEstudo epidemiológico observacional, descritivo, ecológico e transversal, baseado em dados do SINAN/DATASUS sobre casos de SC no período de 2010–2024. As variáveis analisadas foram raça, cor, idade materna, realização do pré-natal, tratamento do parceiro, classificação e evolução do caso, além da distribuição geográfica (macrorregiões do estado), com cálculo de frequências absolutas e relativas.
ResultadosRegistraram-se 6.479 casos de SC em Goiás (2010–2024), com 96,3% em bebês de até 6 dias. A taxa global de SC foi de 4,6 por 1.000 nascidos vivos. Observou-se um aumento ao longo dos anos, de forma que em 2022 e 2023, foram registrados 8,74 e 8,73 casos por 1000 nascidos vivos, respectivamente. Entre as macrorregiões, a Centro-Oeste apresentou a maior concentração de casos (54,6%), seguida pela Sudeste (16,3%). Na comparação entre grupos, a maioria das mães eram pardas (53,8%), com idade entre 20 e 24 anos (33,2%) e ensino médio completo (18,1%), sendo que 78,8% realizaram pré-natal, 58,7% receberam diagnóstico durante o pré-natal e apenas 21,8% dos parceiros realizaram tratamento conjunto. Quanto à evolução, 93,8% das crianças sobreviveram, enquanto 2,8% evoluíram para óbito, uma mortalidade de 13 óbitos por 100.000 nascidos vivos, sendo 62,8% dos óbitos diretamente atribuídos à SC.
ConclusõesA SC persiste como grave problema em Goiás, refletindo falhas como diagnóstico pré-natal insuficiente e baixo tratamento de parceiros. Para interromper a transmissão vertical, são necessárias políticas regionalizadas de qualificação profissional, ampliação da testagem rápida, busca ativa, tratamento imediato de parceiros, descentralização terapêutica e abordagem integrada.
Palavras-chave:Epidemiologia; Perfil de Saúde; Sífilis Congênita.


