
V Congresso Goiano de Infectologia
More infoO processamento de endoscópios flexíveis representa um desafio devido à sua estrutura complexa, que favorece a retenção de alta carga microbiana, após o uso. As etapas do processamento padronizadas são pré-limpeza, teste de vedação, limpeza manual, enxágue e secagem intermediários, desinfecção de alto nível, secagem final e armazenamento. Este estudo avaliou a secagem final, realizada após a desinfecção e antes do armazenamento. Evidências demonstram que endoscópios considerados prontos para uso podem apresentar umidade residual, favorecendo proliferação bacteriana, biofilmes e transmissão de microrganismos, inclusive multirresistentes. Nesse contexto, diretrizes internacionais reconhecem a secagem como etapa crítica para a segurança do processamento.
ObjetivoAvaliar a umidade residual nos canais de endoscópios flexíveis após o processamento institucional, comparando tempos de secagem e o uso do flushing com álcool 70%.
MetodologiaEstudo experimental analítico realizado em unidade de endoscopia de um hospital de ensino. A secagem final foi avaliada com papel indicador de cloreto de cobalto para detecção visual da umidade. Testado tempos de secagem de dois, cinco e dez minutos, com e sem flushing de álcool 70%, utilizando ar comprimido medicinal a 30 Pound-force per Square Inch (psi), direcionado separadamente aos canais de sucção/biópsia e ar/água. O papel foi posicionado na ponta distal do endoscópio. A presença de umidade foi identificada pela mudança cromática do papel azul para rosa, conforme escala do fabricante, com registro fotográfico.
ResultadosCiclos de secagem de dois minutos com flushing de álcool foram ineficazes, apresentando saturação rosa (> 80% de umidade) no canal de ar/água. Sem álcool, houve eficácia parcial no mesmo tempo (< 20% de umidade). Nos tempos de cinco e dez minutos, o indicador permaneceu azul, sugerindo redução significativa da umidade residual. Observou-se maior retenção de umidade no canal de ar/água do que no canal de sucção/biópsia.
ConclusãoO papel de cloreto de cobalto mostrou-se sensível e de baixo custo para monitorar a umidade após a secagem de endoscópios. O tempo de injeção de ar foi o principal determinante da remoção da umidade, mais relevante que o flushing de álcool 70%. Canais de menor calibre, como os de ar/água, detiveram mais umidade, reforçando a necessidade de padronizar o tempo de secagem antes do armazenamento para reduzir riscos microbiológicos e prevenir infecções assistenciais.
Palavras-chave: Endoscópios Gastrointestinais; Secagem; Infecção Hospitalar.


