
V Congresso Goiano de Infectologia
More infoA sífilis congênita (SC) resulta da transmissão vertical de Treponema pallidum da gestante para o feto, podendo ocorrer em qualquer fase gestacional ou no parto. É evento sentinela da qualidade da assistência prénatal, pois diagnóstico precoce e tratamento da gestante e do parceiro previnem a transmissão vertical.
ObjetivoAnalisar a ocorrência de SC na Região Centro-Oeste (RCO) entre 2020 e 2024 e sua relação com indicadores de assistência pré-natal e tratamento do parceiro sexual.
MetodologiaEstudo ecológico, descritivo e retrospectivo com dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificações (SINAN/DATASUS). Analisaram-se casos e óbitos por SC, realização de prénatal, momento do diagnóstico e tratamento do parceiro. Aplicaram-se correlação e regressão linear simples entre número de casos e variáveis selecionadas.
ResultadosEntre 2020 e 2024, a Região Centro-Oeste registrou 6.897 casos de sífilis congênita, com maior concentração em Goiás (46,1%) e menor ocorrência em Mato Grosso do Sul (13,9%). Observou-se aumento dos casos até 2023, mais intenso em Mato Grosso do Sul (71,6%) e Goiás (42,5%); no Distrito Federal, o pico ocorreu em 2022, seguido de redução posterior, e em 2024 houve queda geral, sem tendência temporal significativa (p > 0,05). A cobertura de pré-natal foi elevada, variando de 70,4% a 82,7%, porém persistiram falhas no diagnóstico oportuno, sobretudo em Mato Grosso, onde 17,9% dos casos foram identificados apenas no pós-parto. O diagnóstico no pré-natal foi mais frequente no Distrito Federal (63,7%) e em Goiás (61,9%) e menor em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, com cerca de 57%. A variável com maior força de associação com o número de casos foi o percentual de diagnóstico no pré-natal, com r = 0,371, R² = 13,8% e p = 0,107, indicando tendência positiva, porém sem significância estatística. A correlação entre o percentual de parceiros tratados e o número de casos foi praticamente nula (r = 0,018). O tratamento dos parceiros foi insuficiente em toda a região, com melhor desempenho no Distrito Federal (52,1%). Em Goiás, 23,3% dos parceiros foram tratados, em Mato Grosso 19,3% e em Mato Grosso do Sul apenas 11,3%.
ConclusãoApesar da alta cobertura de pré-natal na RCO, a SC permaneceu elevada, sugerindo limitações na efetividade da assistência, especialmente na detecção precoce e no manejo dos parceiros sexuais.
Eixo temático: Sífilis e outras Infecções de Transmissão Sexual. Agência Financiadora: Não houve financiamento.
Palavras-chave: Sífilis congênita; Cuidado pré-natal; Transmissão vertical de doenças infecciosas.


