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Vol. 25. Issue S1.
12° Congresso Paulista de Infectologia
(January 2021)
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Vol. 25. Issue S1.
12° Congresso Paulista de Infectologia
(January 2021)
EP‐425
DOI: 10.1016/j.bjid.2020.101503
Open Access
INFECÇÃO ESTREPTOCÓCICA COM ESPESSAMENTO E PROLAPSO DE VALVA MITRAL: UM RELATO DE CASO
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Fenísia G. Carvalho Saldanha, Júlia de Abreu Teixeira, Hugo Pessotti Aborghetti, Rafael Firme Ginelli, Tamires Rayane Paula Cruz Silva, Bruno Rocha Moreira, Mayko Nascimento Merscher, Bruno Oggioni Moura, Ricardo Tristão Sá
Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes (HUCAM), Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Vitória, ES, Brasil
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Introdução: Endocardite infeciosa é o processo inflamatório do endocárdio, sobretudo daquele localizado nas valvas cardíacas, causado por microrganismos. A vegetação, lesão característica, é composta por plaquetas, fibrina, microrganismos e células inflamatórias. Ela acomete mais comumente a valva mitral (40%) ou aórtica (34%), seguida pelo acometimento de ambas as valvas. Ruptura de folhetos, cordoalhas ou perfurações valvares, além de fístulas intracardíacas e insuficiência cardíaca são possíveis complicações. A endocardite é a segunda etiologia mais frequente de ruptura de cordoalha, sendo esta última a principal responsável pela regurgitação mitral pura em países desenvolvidos, representando a causa de 90% dos casos agudos.

Objetivo: Relatar caso de endocardite subaguda por Streptococcus mutans com ruptura de cordoalha da valva mitral, correlacionando achados e conduta clínica com dados da literatura.

Metodologia: Paciente masculino, 47 anos, casado, agricultor, procurou serviço de saúde com queixa de dor abdominal periumbilical, emagrecimento e febre diária há 5 meses, associada a hiporexia e astenia. Ao exame físico, apresentava‐se com sopro sistodiastólico 4+/6+ em foco mitral, irradiando para focos tricúspede e aórtico, pescoço e axila esquerda. No ecocardiagrama transesofágico, foi observado valva mitral com espessamento de ambas as cúspides e prolapso, com maior comprometimento da cúspide posterior. Notou‐se também imagem altamente sugestiva de cordoalha rota. Em consequência, há uma flail mitral valve e grave insuficiência valvar.

O diagnóstico de endocardite subaguda foi dado após hemocultura positiva para S. mutans e seguiu‐se por tratamento com ampicilina por 28 dias e gentamicina por 14 dias, suspensos após hemocultura negativa. No momento da alta, apresentou‐se estável clinicamente e tem cirurgia cardíaca programada.

Discussão/Conclusão: O diagnóstico de endocardite infecciosa tem o prolapso da valva mitral como fator de risco e deve‐se levar em consideração a integração de aspectos clínicos, laboratoriais e ecocardiográficos. Muitas vezes, o paciente apresenta‐se com anormalidades laboratoriais inespecíficas, incluindo anemia, leucocitose e PCR elevado. Comumente, encontram‐se lesões causadas por S. aureus (30%), no entanto, um grande grupo de patógenos podem ser responsáveis por tal acometimento, como o apresentado nesse caso. A ruptura de cordoalha pode se apresentar tanto com curso clínico agudo, subagudo ou crônico. O prognóstico a longo prazo é melhor quando feito tratamento cirúrgico.

The Brazilian Journal of Infectious Diseases

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