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Vol. 25. Issue S1.
12° Congresso Paulista de Infectologia
(January 2021)
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Vol. 25. Issue S1.
12° Congresso Paulista de Infectologia
(January 2021)
EP‐402
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NEUROSSÍFILIS MANIFESTADA COMO SÍNDROME DO SOTAQUE ESTRANGEIRO EM PACIENTE COM HIV DE DIAGNÓSTICO RECENTE
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Andrés Mello López, Felipe Arthur Faustino Medeiros, Vítor Falcão Oliveira, Camila Loredana P.A.M. Bezerra, Flora Goldemberg, Guilherme Diogo Silva, Isabela C. Leme V. Cruz, Jéssica Fernandes Ramos, Rinaldo Focaccia Siciliano
Hospital das Clínicas, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), São Paulo, SP, Brasil
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Introdução: Síndrome do sotaque estrangeiro é um distúrbio motor da fala raro em que o paciente passa a apresentar um sotaque diferente da língua nativa. O sotaque estrangeiro pode vir acompanhado ou não de outros distúrbios da fala/linguagem, como disartria, afasia e apraxia da fala. Embora a neurossífilis deva ser descartada em todo sintoma cognitivo a esclarecer, esse é, ao nosso conhecimento, o primeiro relato de neurosífilis apresentando a síndrome do sotaque estrangeiro.

Objetivo: Relatar uma manifestação atípica de neurossífilis em paciente com diagnóstico de HIV.

Metodologia: Paciente de 33 anos, do sexo masculino, diagnosticado com HIV há 2 meses, com CD4 284 células e Carga Viral de 10.166 cópias/mL, em uso de Tenofovir+Lamivudina+Dolutegravir. Ademais, foi encontrado Sífilis Latente Tardia com VDRL 1/256, recebendo tratamento prévio com Penicilina G Benzatina 7,2 milhões UI, contudo, com aumento de títulos em VDRL de controle. Apresentou com alteração de fala com 4 dias de evolução, observada por familiares, sendo relatada como palavras não inteligíveis, sem alteração de consciência. Na admissão, avaliado pela equipe da neurologia com alterações de fala espontânea com pouco de agramatismo e sotaque estrangeiro, nomeação preservada. Compreensão para voz passiva comprometida, repetição prejudicada para frases mais longas, escrita preservada e leitura comprometida. Realizada TC e RM sem alterações. Em exame de líquor, sem alterações bioquímicas, com aumento moderado do teor de globulinas gama e VDRL 1/1. Avaliado pela equipe da Fonoaudiologia, evidenciando prosódia alterada, fonatório diminuído, articulação com presença de distorções e prejuízo na inteligibilidade de fala, notado sotaque estrangeiro. Recebeu tratamento por 14 dias com Penicilina G Cristalina 4 milhões UI, de 4 em 4 horas, evoluindo com leve melhora no quadro neurológico, com VDRL de controle no líquor negativo e VDRL sérico de 1/8 após 8 meses do tratamento.

Discussão/Conclusão: Poucos casos de síndrome do sotaque estrangeiro foram relatados, estando vários deles relacionados a injúria ao sistema nervoso central, a maioria relacionado a distúrbios vasculares. A neurossífilis pode apresentar afecção meningovascular, com possível arterite de pequenos vasos, podendo desencadear tal manifestação relatada.

The Brazilian Journal of Infectious Diseases

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